• Emilie Andrade

Um lugar chamado Cae Mabon


As férias precisaram chegar para que eu, finalmente, conseguisse escrever sobre a minha viagem à Cae Mabon em Agosto deste ano. Cae Mabon é a casa do contador de histórias e escritor Eric Maddern (ele esteve no Brasil para participar do Boca do Céu em 2012). É um sítio no pé da montanha mais alta do País de Gales, beirando o rio LLanberis (que se pronuncia Clanberis com aquele som que arranha a garganta que só quem fala galês sabe fazer). Essa região é muito especial para a mitologia celta: esse lago é sagrado para os druídas (quem me contou isso foi uma druída em pessoa que me explicou que os druídas são como xamãs dos povos originais daquela região). Ali perto, contam que existe uma caverna onde o próprio mago Merlin viveu por algum tempo. Um lugar mágico pra qualquer um, imaginem para nós, os contadores de histórias.


Eric construiu Cae Mabon para ser um espaço sustentável no qual as pessoas podem se reunir para cursos, oficinas e retiros que envolvem as artes, a natureza, a saúde. As construções são ecológicas e encantadoras. Fiz essa viagem toda porque desde que conheci a contadora de histórias americana Laura Simms (já falei dela por aqui) e participei de um programa à distância com ela, fiquei com muita vontade de passar mais tempo pessoalmente, queria aprender ainda mais olhando nos olhos. Todas as manhãs praticávamos 40 minutos de Shamatha Gom que é uma técnica de meditação que se faz com os olhos abertos. A Laura, que também é mestre em meditação budista, diz que essa meditação é interessante para contadores de histórias porque a gente se mantem conectado com o ambiente, o que é essencial nessa forma de arte.


Tinha que escolher uma história pra me dedicar durante os seis dias de curso. Ficar todo esse tempo totalmente dedicada ao estudo de uma história, às trocas, às reflexões, encarar as minhas limitações, dificuldades e medos, aprender o exercício de ver as coisas como elas são e não como eu imagino que elas sejam, limpar a lente pessoal através da qual eu enxergo o mundo e as histórias… Tudo isso e mais um monte de outras coisas, algumas eu ainda não consigo nomear, me deixam muito feliz por saber que agora fazem parte da minha história pessoal e profissional, que insisto em dizer nunca se separam. Fiz um resumo com as minhas palavras e meus entendimentos de algumas pérolas que Laura e meus companheiros de viagem me deram de presente.

  • o lugar onde a história é contada é tão importante quanto o lugar onde a história acontece.

  • o contador de histórias deve ser claro e dar aos ouvintes um lugar reconhecível sobre o qual eles podem construir a história que ouvem.

  • pesquisar de onde a história vem, isso dá perspectiva ao contador e aos ouvintes.

  • a poesia que colocamos na história ao contar vem da própria história e não de fora dela.

  • saber diferenciar o que é a minha opinião sobre a história e o que é a história.

  • duas coisas muito tristes: um contador de histórias que se comporta como se soubesse absolutamente tudo sobre a história e um contador que finge que não sabe a história.

  • se você pudesse dizer algo a qualquer personagem da história, o que você diria?

  • nenhuma história é literal, ao lidar com histórias e personagens estamos lidando com energias.

  • cada história é um mundo.

  • não deixe o seu filtro pessoal ser o único filtro através do qual você vê a história.

  • sobre aprender um história: não temos que abandonar nosso jeito ocidental e racional de aprender, mas podemos também dar espaço a um aprendizado mais intuitivo. É como aprender a nadar, você precisa confiar que a água vai te segurar.

  • se apaixonar pelos obstáculos: aquela parte da história que você não gosta pode ser, justamente, onde as pérolas estão escondidas.

  • falar conecta corpo e mente.

  • não mude nada na história até que você a conheça muito bem.

  • quanto menos você tentar aparecer, mais os ouvintes te veem.

  • quando você está presente as possibilidades são infinitas.

Se alguém se interessar em saber mais sobre a Laura, sobre Cae Mabon ou sobre essas coisas todas que escrevi sobre o ofício do narrador, é só entrar em contato. Esse blog existe para isso: porque gosto e preciso encontrar e conversar.

#LauraSimms #CaeMabon #EricMaddern #storytellingretreat #pelomundo

Um jeito de começar a se aproximar das histórias é cuidar da sua própria. Quer experimentar?

Deixa seu e-mail aí embaixo que te mando de presente a

"ÁRVORE DA VIDA.

 

Emilie Andrade / Brasil / 55 16 98220-4398

  • White Facebook Icon
  • White LinkedIn Icon
  • White YouTube Icon
  • White Instagram Icon

Além de artista da palavra, sou estudiosa e facilitadora de práticas narrativas. Uma metodologia que acompanha pessoas e organizações na re-autoria das próprias narrativas.

Ficou curiosa?

é só visitar www.sementeira.art