• Emilie Andrade

Frida e Nós


Entre abril e julho desse ano aconteceu aqui em São Paulo a exposição Frida e Eu, uma parceria da Unibes com a Bacuri Cultural. Um espaço lindo e instigante onde as crianças podiam entrar em contato com o universo da artista mexicana Frida Kahlo. Eu, que adoro a pessoa e a obra há muito tempo, tive a sorte de poder pesquisar e contar um pouco da história dolorida e intensa que ela viveu.

No começo de cada sessão eu contava pras crianças que uma das coisas que eu gosto no ouvir histórias é que ouvir uma história pode acordar dentro da gente as nossas próprias histórias. Aí, eu perguntava se elas achavam que a história de uma artista mexicana que nasceu no começo do século passado podia encostar na nossa, aqui em São Paulo, hoje. Será que essa história tinha chance de acordar as nossas?

Então, eu contava de como o pai e a mãe se conheceram na joalheria em que trabalhavam e da coincidência de, pouco tempo antes de se conhecerem, os parceiros de ambos terem morrido (a esposa dele e o noivo dela).

Contava de como a Frida nem pôde aproveitar o fato de ser a filha caçula porque sua irmã Cristina nasceu antes mesmo dela completar um ano.

Falava da primeira professora que Frida e Cristina tiveram e que as meninas achavam que, por ser tão tão esquisita, não devia ser professora de verdade; de como ter ficado com uma perna menor por conta da polio a fez ficar ainda mais determinada.

Mostrava o quadro que ela pintou depois de grande sobre o dia em que pediu um avião de brinquedo, mas ganhou uma fantasia de anjo e que por chorar de tristeza por não conseguir voar, os adultos riram muito dela.

E a cada coisa que contava ia fazendo perguntas-pontes que conectavam essas experiências da artista com as experiências das crianças. Provavelmente, muitas dessas pontes eram construídas pelas crianças antes mesmo de eu fazer qualquer pergunta, mas era bom perguntar mesmo assim só pra disparar nossas conversas. Ao final, contava de como uma coisa muito ruim que aconteceu com ela (o acidente) foi a chave de toda a obra que ela desenvolveu depois. No fim, as crianças iam embora ainda me contando muitas histórias ruins que viveram e das coisas que sentiram e que aprenderam com elas.

Essa foi uma estratégia boa que eu encontrei pra contar essa história tão dolorida. Acho que pode funcionar e ajudar as nossas criança a lidarem com situações difíceis: contar uma das muitas histórias onde o personagem transforma uma dificuldade em bendição.

Que você acha? Tenta e depois me conta como foi?


#exposição #FridaKahlo #biografia #professores #pais

Um jeito de começar a se aproximar das histórias é cuidar da sua própria. Quer experimentar?

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"ÁRVORE DA VIDA.

 

Emilie Andrade / Brasil / 55 16 98220-4398

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Além de artista da palavra, sou estudiosa e facilitadora de práticas narrativas. Uma metodologia que acompanha pessoas e organizações na re-autoria das próprias narrativas.

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