• Emilie Andrade

Festival de Histórias no Irã (parte 1)


Quando recebi a confirmação de que iria mesmo para o Irã fiquei tão emocionada! Um lugar cheio de histórias que morava no meu imaginário há tanto tempo e que eu nunca imaginei que poderia conhecer. Fiquei animada também por poder viver alguns dias em um lugar onde a religião islâmica (que conhecia tão pouco) é tão forte. Que sorte que tive em receber esse presente.


A capital Terrã vista de cima da Milad Tower.


O famoso banheiro persa (difícil, às vezes).


Um dos palácios que visitamos tem uma sala inteira revestida com esses azulejos. Cada um com uma ilustração diferente de uma passagem do grande épico persa Shanameh, escrito pelo poeta Ferdoci por volta do século XV.


Uma parte dos narradores estrangeiros no jardim do palácio Golestan. Sempre que íamos tirar uma foto nos esquecíamos e nos abraçávamos. Repara que as mãos estão na frente do corpo. No Irã homens e mulheres não podem se tocar em lugares públicos. A gente estava se abraçando pra foto e lembramos que não podia.


Um dos famosos mercados persas em Teerã.


Foi assim que fomos recebidos no hotel em Kermanshah, há uma hora de avião de Teerã onde aconteceu o festival. A menina leu uma mensagem de boas vindas em inglês e o menino em persa. Não consegui não chorar.


Esse senhor se chama Baba Ali (e não Ali Baba, como ele mesmo brincou). Ele é da região sul do Irã, foi capitão de navio e hoje conta histórias pelo país com o seu camelo. Fomos juntos a Bisotun contar histórias para as crianças. Na volta, conversamos muito e ele me deu algumas sugestões sobre a história que contei. Ele assistiu minha apresentação no teatro e viu que eu tinha seguido uma sugestão que ele me fez. Depois da minha apresentação ele me procurou e com os olhos marejados me abraçou (não lembro se ele me abraçou mesmo, talvez tenha apenas me olhado, mas na minha memória é como se tivesse). Privilégio foi pouco!


Essa é a Rana, uma menina de 9 anos que ficou muito minha amiga por lá. Onde eu ia, ela ia também. Ela se apresentou durante a abertura e o encerramento do festival e me disse que vai ser contadora de histórias. No último dia, chorou um montão na hora da despedida. <3

Das coisas que vivi no Irã a que mais me encheu o coração foi ouvir as pessoas. Éramos 12 estrangeiros (Colômbia, Austrália, EUA, Armênia, Rússia, Canadá, Kênia, Filipinas, Marrocos, Síria e Líbano) mais muitos narradores iranianos de várias partes do país, mais todos os tradutores que nos acompanharam o tempo todo, mais o público do teatro, as crianças das escolas que visitamos. Ir tão longe, viver outra cultura e ver de verdade que, apesar de tanta diferença, somos iguais.

Mulheres e homens não se tocam em público a por isso a despedida foi muito diferente. Nunca tinha sentido isso antes: a vontade de abraçar alguém e não poder faze-lo. Me dei conta de quanto um abraço fala ao outro de coisas que a palavra não consegue dizer.

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