• Emilie Andrade

Encontramento #5 - Djeliba Baba


O segundo ano da série de entrevistas Encontramentos demorou, mas chegou! E chegou de um jeito muito especial: conheci Djeliba Baba, ou Baba the soryteller, durante o Festival Internacional de Cuentacuentos de Santo Domingo. Bastaram apenas alguns minutos conversando com ele para perceber a pessoa especial que ele é. Não foi possível realizar a conversa durante o festival, por conta dos inúmeros compromissos que tínhamos, por isso, enviei as perguntas por e-mail e ele carinhosamente respondeu. Nosso Encontramento, de verdade, durou os 6 dias que passamos na República Dominicana.

Baba é um dos poucos narradores nos Estados Unidos que pratica uma arte de narração ancestral do Oeste africano, conhecida como “Jaliyaa”. Recebeu muito prêmios por seu trabalho como folclorista, arpista tradicional, contador de histórias, ativista comunitário e voluntário.


Como a sua história como contador de histórias começou?

Começou em minha comunidade, com meu trabalho voluntário com jovens usando histórias como meio de construir relacionamentos.

Quando você começou a contar histórias, o que foi que você encontrou como maior dificuldade? Como você a superou?

A coisa mais difícil pra mim, foi que eu tinha decidido aplicar um conhecimento de história, linguagens e música. Eu tinha que ter a disciplina de pesquisar, estudar muito e praticar incansavelmente.

Há algum livro que você leu quando começou que você recomeda?

A maior parte do meu treinamento inicial aconteceu com as culturas orais do Oeste Africano, então havia pouco ou nenhum registro escrito. Eu sou um leitor voraz, por isso eu tenho muitos livros que li ao longo dos anos que podem ajudar contadores de histórias que buscam informações. Eu acabei de ler “Story Proof”, um livro que trata de pesquisas neurológicas recentes e de como as histórias podem ser examinadas através de evidências empíricas.

Você pode falar um pouco sobre a Kora? Qual o papel que este instrumento tem em sua performace?

A Kora é uma antiga harpa do Oeste africano usado pelos griots. Griots são os detentores da história e tradições de seu povo. Para mim, a Kora tem uma influência calmante na minha audiência que me permite acessar a imaginação mais facilmente. O tom de voz tem o mesmo papel.

Quais outros objetos você usa para contar histórias?

Eu não uso muitos objetos. A maior parte da minha narração se baseia na minha voz, movimento e, numa dimensão maior, técnicas de prosódia.


Você prefere contar histórias para crianças, adolescentes ou adultos. Quais são as diferentes técnicas você usa com cada um deles.

Eu prefiro um público misto, com todas as idades envolvidas. Isto me dá a mesma sensação que tive na África onde a narração de histórias é um evento comunitário.

O que um contador de histórias tem que ter? O que ele não pode ter?

Um contador de histórias tem que possuir ser empático com seus ouvintes. Um contador de histórias precisa ser um ouvinte acima da média. Um contador de histórias precisa amar contar histórias ou ele não deve fazê-lo. Quanto ao que um contador não pode ter, eu diria um ego inflado e um sentido de si que faz suas histórias serem apenas sobre ele mesmo.

Como você escolhe suas histórias?

Eu, honestamente, sinto que minhas histórias que me escolhem. Eu sinto a adrelina quando ouço, leio ou sou apresentado à histórias que me dizem que elas têm que se tornar parte do meu repertório de histórias.

Eu tenho uma grande dificuldade de terminar as histórias. E você? Como você faz para terminar as histórias?

Finalizar as histórias tem mais a ver com o objetivo que você define pra si mesmo do que com a performance. Se você está tentando transmitir a consciência de algo ou sabedoria, então você pode usar o silêncio, tirar vantagem das pausas, dando às pessoas tempo para contemplar aquilo que escutaram. Uma técnica de tensão/relaxamento também é efetivo em permitir que os ouvintes façam a história mais próxima deles mesmos, e eles mais próximos de você. Este é um assunto tão subjetivo que eu poderia escrever por horas sobre ele.

É possível sobreviver apenas contando histórias em seu país? Você tem outra atividade? Como você vende seus produtos?

Nos Estados Unidos é possível fazer a vida como um contador de histórias, mas você tem de ser extremamente vigilante e diversificar suas habilidades. Eu trabalho com eventos especiais, escolas, universidades, museus, livrarias, etc. Estes locais me mantêm muito ocupado, mas eu também tento estar aberto para oportunidades únicas de apresentação e viagens. A maioria dos meus produtos são vendidos, principalmente, depois das apresentações e online no meu site.

Eu acredito que as histórias que escolhemos para contar, sempre contam algo sobre nós. Qual a história que mais te representa hoje?

Eu acredito que eu estou vivendo a minha história e ela está constantemente em fluxo. Os temas que mais me excitam, provavelmente, me representam mais do que uma história propriamente dita. Eu escolho temas relacionados a resolução de conflitos, amor, amizade e a superação de adversidades.


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Emilie Andrade / Brasil / 55 16 98220-4398

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Além de artista da palavra, sou estudiosa e facilitadora de práticas narrativas. Uma metodologia que acompanha pessoas e organizações na re-autoria das próprias narrativas.

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