• Emilie Andrade

Contar o futuro

Updated: Feb 12, 2019

As palavras que falamos se tornam a casa em que vivemos. Hafiz

Esse final de ano eu fiquei pensando sobre quem eu quero ser para o mundo e decidi que vou colocar ainda mais energia nessa história de contar o futuro.


Deixa eu explicar: como contadora de histórias meu foco principal é a arte, é aprimorar o meu fazer artístico (aqui no Brasil a gente ainda precisa conquistar esse lugar de artista). Porém, cada vez ganha mais espaço no meu pensar e fazer um outro lado da arte de contar histórias que tem a ver com uma inquietação constante: transformar o mundo. Claro que isso está diretamente ligado à qualidade artística, mas isso é outra história.


Já faz tempo que encontro narradores pelo mundo que se autonomeiam de uma maneira diferente para contar desse foco na transformação social. Como a minha amiga Kristin Pedemonti que se diz uma Cause-Focused Storyteller (contadora de histórias focada em causas) ou a minha mestra maior Laura Simms que trabalha com seu Engaged Storytelling (contação de histórias engajada). Desde que as conheci eu me identifiquei muito com o modo que trabalham. Ainda não consegui alçar voô no trabalho social, o que consegui fazer por enquanto, foi traduzir em palavras o porquê eu faço o que faço: conto histórias para reinventar o passado, perceber o presente e criar o futuro.


Foi quando recebi num grupo de watsapp, de uma moça que vive na Suíça, o link do Story the Future.


Começando pelo nome que poderia ser traduzido como Estorizar o Futuro. O substantivo estória (em inglês eles usam estória e história como era em português antigamente) usado como verbo é uma síntese maravilhosa! Eles estão dizendo com isso que as histórias que a gente conta dão forma ao nosso futuro e é sobre isso que quero conversar, aprender e espalhar cada vez mais.


Foi assim, logo de cara, que a sensação de ter encontrado a minha turma apareceu. Aqui no Brasil ainda não encontrei muita gente falando e trabalhando com foco direto nisso. Se alguém conhecer, por favor, me conta?


Mas, afinal de contas, o que foi essa conferência?


Uma série de entrevistas com profissionais das mais diversas áreas que usam as histórias como matéria-prima e que têm seus trabalhos focados na transformação social, ambiental, corporativa, etc. Eram contadores de histórias, arte-educadores, pesquisadores das mais diversas áreas, criadores de organizações não governamentais, facilitadores, entre muitos outros.

Havia um pacote pago com maior tempo de acesso às entrevistas, mas tinha também o gratuito no qual você ia recebendo acesso às entrevistas semanalmente, mas só por dois dias. Eu acessei o pacote gratuito e mesmo assim, era muito conteúdo. Além disso, na roça a minha internet não é das melhores e não consegui assistir a todas as entrevistas. Mas, as que eu assisti foram muito potentes.


Uma das mais potentes pra mim foi a da Chene Swart. Ela é uma consultora e facilitadora que trabalha com indivíduos, empresas e organizações não governamentais. Ela falou de como a língua cria as nossas histórias e muitas vezes nos aprisiona nelas. Por isso, a gente precisa se manter atento não apenas às histórias que a gente conta sobre a gente e sobre o mundo, mas também à linguagem que a gente escolhe pra contar essas histórias.


Ela pergunta: qual foi o mundo que nos entregaram quando nascemos?


Um mundo onde julgamos uns aos outros, onde damos conselhos o tempo todo porque acreditamos que sabemos da vida dos outros e fomos ensinados a “consertar” as pessoas. Na melhor das hipóteses, a gente faz uma “crítica positiva”. É assim que nos tornamos todos indignos. Quando a gente julga alguém, quando a gente supõe alguma coisa sobre alguém, essa pessoa perde a autoria sobre ela mesma.


O que a gente precisa fazer é construir e honrar situações que são alternativas à essa grande história que nos governa. Criar ou encontrar uma contra-história. A gente precisa contar essas histórias alternativas, ouvir, parar um pouco e conectá-las. Peça permissão e carregue elas com você, ela diz.


Contadores de histórias compartilham mais que histórias, eles compartilham a alegria da possibilidade de mudar o modo como as coisas são.

Vê a potência dessa conversa? Especialmente, hoje no Brasil, no mundo?


E essa foi apenas uma! É claro que eu fiquei maluca querendo aprender o máximo possível e investigar como eu poderia fortalecer meu trabalho nesse sentido. Fiquei em contato com eles. Agora em janeiro, a partir do dia 21, eles estão fazendo outro evento on-line num formato um pouco diferente. Serão entrevistas gratuitas e workshops pagos.


Eu queria contar que eu tive a sorte de me tornar embaixadora deles aqui no Brasil, o que significa ajudar a espalhar a notícia e ter acesso a esses workshops que agora eu não poderia pagar. De toda forma é uma notícia que eu espalharia de qualquer jeito porque acredito muito que essas conversas são muito necessárias no mundo de hoje. Quanto mais gente junto, melhor!


Vou compartilhar bastante pela rede. Se quiser saber mais, me escreve, tá?


PS – A única questão do Story the Future é que ele é todinho em inglês. Estamos começando a trabalhar na transcrição para o inglês (que ajuda quem entende um pouco), português e outros idiomas, mas ainda leva tempo.


De todo modo, eu recomendo que mesmo que você entenda só um pouquinho, tenta participar, assiste uma entrevista vai que você entende mais do que imagina?

E pra quem não fala nada de inglês, estou pensando maneiras de compartilhar esses conteúdos: posts, lives, ainda não sei. Aceito sugestões.


#storythefuture #storytelling #transformaromundo #contarhistorias #novahistoria #escreverapropriahistoria

quer receber uma ferramenta bem bonita

pra te ajudar a cuidar da tua história?

deixe seu contato aqui que eu te mando a "Árvore da Vida" gratuitamente.

@emiliehistorias

Criado por Emilie Andrade. 2016.

Todos os direitos Liberados. Copyleft.

  • White Facebook Icon
  • White LinkedIn Icon
  • White YouTube Icon
  • White Instagram Icon

Emilie Andrade / Brazil / (55 48) 99657-4398