• Emilie Andrade

Carta para uma nova amiga


São Carlos, 01 de novembro de 2017

Querida, Elisa

Eu acredito nas cartas. Há algo de ponte nelas e você sabe do meu interesse pelas pontes. Não que seja sempre confortável atravessá-las, muitas vezes dá medo, mas os “outros lados” quase sempre valem a pena.

Nunca imaginei alguém que ainda hoje as quisesse escrever, ainda mais para desconhecidos.

Se as cartas pressupõem um remetente e um destinatário e o destinatário é desconhecido, imagino que a tua escrita nasça mesmo dos teus abismos. É a sua escrita querendo irromper no papel e a história do outro é impulso. Não sei. Pensei nisso agora. Perdoa este meu equívoco, se não for nada disso.

Queria te falar do que sinto quando penso no teu trabalho de escritora de cartas e me veio uma imagem. Me veio a imagem daquelas cartas nas garrafas dos náufragos (adoro quando essas metalinguagens acontecem). Suas cartas são palavras colocadas numa garrafa e lançadas ao mar com a intenção de que ela encontre um destinatário, é um pedido de socorro. É um desejo de encontro urgente da pessoa que você é "por fora" com a pessoa que você é "por dentro" e, ao mesmo tempo, da tua arte com o mundo. Parece que a tua escrita, de algum modo diz: escuta, mundo, tem coisas muito importantes que você anda esquecendo. Ouvir o outro é uma delas.

A gente se conheceu no dia 30 de agosto e hoje é dia 01 de novembro, ou seja, em dois meses a gente se virou do avesso uma pra outra (mais eu do que você, né? Mas por hora, deixa as aulas de TKV começarem). Fiz questão de buscar a data que nos encontramos pela primeira vez porque fazer amigos, pra mim, sempre foi prêmio, sorte da vida, não é coisa qualquer. Ainda mais depois de adulta.

Acredito que grande parte desse laço que a gente vem criando tem a ver com a escuta. Acho que nós duas já sabemos ouvir um pouquinho. Viva!

Agradeço muito ter te encontrado.

Agradeço muito ter me chamado de sereia (é sério, você não imagina o portal que isso me abriu).

Com todo meu amor, da sua nova amiga,

Emilie

(Elisa De André Motta é comunicadora e escritora. Seu projeto Querido Desconhecido consiste na escrita de cartas para desconhecidos a partir de uma conversa, pessoalmente ou não, na qual o destinatário da carta conta um pouco da sua história.)


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