• Emilie Andrade

Carta para 2017


Querido, 2017

Você acabou de chegar e parece que nos conhecemos há muito tempo. Seu amigo que partiu não foi dos mais legais com muita gente. Comigo foi tudo bem, especialmente, porque foi nele que minha segunda menina chegou de um jeito que eu não imaginava. Ele fez questão de me lembrar de abraçar o inesperado, uma lição que eu venho tentando aprender há tempos. Não que eu tenha aprendido, definitivamente.

Aprendi mais algumas coisas com esse seu amigo extravagante: que eu tenho mais paciência do que eu imaginava, que é possível se achar linda com a barriga mole e cheia de marcas, que escrever meus planos e compromissos no papel me ajuda a organizar meus pensamentos e também pode ser divertido, que o puerpério pode ser uma coisa leve e doce e que não preciso ter vergonha de mostrar e falar do meu trabalho para as pessoas. Foi o que me veio agora, mas sei que tem muitas outras coisas que eu ainda não sei que aprendi.

Olha, eu tenho muitos planos pra você (mesmo sabendo que os imprevistos são a regra, ainda, acho importante fazer planos porque eles contam para o universo das escolhas e dos desejos). Quero ver meu bebê crescer bem de perto, quero ver minha adolescente conquistar ainda mais autonomia, quero contar e ouvir muitas histórias, escrever muito e conversar com as pessoas para as quais o que eu escrevo faz algum sentido, quero começar a dar forma e concretude a um projeto do coração, quero que uma nova casa se materialize em algum lugar perto do mar, quero aprender um monte de coisas e entre elas a lidar melhor com o ritmo e com o dinheiro.

Isso, pra minha vidinha boba, mas tem tanta coisa que eu quero pro mundo. Que com você a gente aprenda mais e mais a conversar com quem pensa diferente da gente e que você seja nosso professor no aprendizado de se colocar no lugar do outro. Que mais gente perceba a impossibilidade dessa vida de consumo de tudo: de roupas à água, de espaços à pessoas. Que a caridade de lugar à empatia. E, principalmente, que cada vez mais a gente viva num mundo onde muitos mundos possam existir.

De alguma maneira, tudo isso que é meu desejo pro mundo aparece no meu trabalho. É por isso que conto histórias. É assim que meu trabalho faz cada vez mais sentido pra mim, mesmo que a maioria das pessoas ainda não saiba, eu sei que os contadores de histórias são revolucionariamente necessários. Eles ajudam a mudar a rota que essa espécie humana decidiu dar para a vida nesse planeta. Seguimos resistindo e lutando a cada encontro, a cada história, todos os dias.


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Um jeito de começar a se aproximar das histórias é cuidar da sua própria. Quer experimentar?

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Emilie Andrade / Brasil / 55 16 98220-4398

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Além de artista da palavra, sou estudiosa e facilitadora de práticas narrativas. Uma metodologia que acompanha pessoas e organizações na re-autoria das próprias narrativas.

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