• Emilie Andrade

5 anos de histórias


Há 5 anos eu publicava neste blog o meu primeiro post. Nele contava da minha primeira experiência como contadora de histórias desde o dia em que eu havia decidido que era isso que eu queria fazer da vida. Lembro da vida de antes, quando eu queria ser uma atriz “séria”, trabalhar com os grupos mais engajados e ser dramática. Estudava tudo, lia muito, fazia um monte de cursos, não conseguia os trabalhos que queria e quando ganhava algum dinheiro, era um valor quase simbólico.

Saí de São Paulo e fui morar no meio do silêncio. Lá tinha árvores, pássaros, o mar e tinha também o tempo. No começo foi difícil acostumar, eu tinha uma urgência enorme de tudo, de ser quem eu queria ser, havia muito a fazer e não podia ficar lá perdendo tempo. Ah, se eu soubesse… achava que perdia, quando o que acontecia era justamente o contrário. Foi nesse silêncio que conversei bastante comigo, li um tanto, escrevi outro tanto e descobri aos poucos qual era o meu desejo de verdade que estava escondido bem lá no fundo e eu não podia ouvir.

Em Julho de 2010 me ofereci para contar histórias lá na Festa Literária de Parati, tinha lido uma história e precisava loucamente contá-la. Uns quatro meses depois dessa primeira experiência, me convidaram para contar histórias no Programa do Ziraldo!!! Parece que a vida estava me dizendo: “aí! agora, sim! é por aqui. vai! vai!” As portas foram se abrindo, eu fui entrando, às vezes dava e ainda dá um medinho, mas eu sigo com uma paixão maluca por esse trabalho que só pode existir misturadinho com a vida. Ler e escrever histórias, contá-las, conhecer lugares e pessoas, conhecer as histórias dos lugares e das pessoas, olhar a vida com olhos de poesia, ouvir um pouco mais, celebrar as conquistas, chorar as tristezas, aprender para ajudar o outro a aprender, fazer teatro, fazer yoga, ficar em silêncio, tudo isso me ajuda nessa caminhada para me tornar uma artista-contadora de histórias.

Nesses 5 anos fiz um monte de coisas bacanas, um monte maior ainda de bobagens. Das ruins nem da pra enumerar de tantas, mas eu sei o quanto aprendi com elas. Ainda bem que já aprendi o quanto errar é bom nessa vida! Das boas: fui para Cuba, República Dominicana e até para o Irã contar histórias, publiquei um livro, dei aulas de teatro, trabalhei em uma biblioteca. Conheci pessoas lindas do mundo inteiro e aprendi muito.

Agradeço por tantos e tantos encontros, mas tem alguns que foram fundamentais: ao Encontro Internacional de Contadores de Histórias Boca do Céu que tornou e torna possível a cada dois anos, aprendermos muito sobre a arte de contar histórias. Foi na edição de 2010 que eu descobri que era contadora de histórias que eu queria ser. À Tathiana Pedroso, parceira-semente de muitos desejos e de muitas realizações, à Cristiana Ceschi que com seu rir de si mesma e seu olhar lindo e generoso me ensina tanto quase sem querer, à Sarah Vianna que me lembra sempre de celebrar e de que existem muitas coisas para além do que a gente vê. À minha mestra, presença ausente, Laura Simms que abriu meus olhos para tantas coisas que eu nem sabia que existiam. Que me ensinou a olhar a vida como uma história em curso. Por saber disso hoje eu tenho calma, sei que estou caminhando na direção dos meus sonhos, mesmo quando tudo parece tão difícil, tão inalcançável.

Tenho muito orgulho dessa minha trajetória mesmo sabendo que 5 anos é muito pouco para se tornar um contador de histórias. Espero viver mais muitos com saúde pra poder ir me tornando a cada dia uma pessoa que precisa de cada vez menos e que transforma para melhor a vida em torno de si.

Hoje é dia de celebrar!

#aniversário #celebração #profissão

Um jeito de começar a se aproximar das histórias é cuidar da sua própria. Quer experimentar?

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"ÁRVORE DA VIDA.

 

Emilie Andrade / Brasil / 55 16 98220-4398

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Além de artista da palavra, sou estudiosa e facilitadora de práticas narrativas. Uma metodologia que acompanha pessoas e organizações na re-autoria das próprias narrativas.

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